terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A mediocridade da vida alheia


  “Na questão urbana, ao ser render a uma entidade abstrata como é o povo, os populistas não conseguem se render à variedade que é o povo.”  David Harvey

     A cada passo e a cada folha seca caída atingida, dois mundos colidem como na música. Poderia tentar evitar, mas sem saber dos resultados, rejeitar a ocasião não é uma opção nem a questão. O ser e a existência como prova da impossibilidade de neutralidade.
     Mesmo que em cada gole de cerveja barata a garganta pareça tampada, o líquido fermentado que insiste em entrar - por coerção - seria uma boa metáfora para o destino cíclico que é jogado pelo ralo toda vez que transborda o esgoto moral. Beba mais e fale menos.
     E quem poderia dizer se ele se faz valer a pena rebaixando-se à mediocridade da vida alheia, indo contra toda a literatura de auto-ajuda que prega a individualidade mágica e incoerente que faz das suas desgraças aprendizado. Como todas as outras desgraças.

     Cretino e ordinário esse destino “in disguise” metido a Deus.
     
(Cretinices a parte, submete-se por agnosticismo ou por tédio)
     A coação interna é parte do fato social pré-determinado de que se acostuma ao gosto amargo da cerveja. E que amargura é uma ótima metáfora para a morte, principalmente quando ela boia no esgoto até o mar. Porque a morte provocada o impede de ir para o céu.
(Crendices a parte, fica no ar o paradoxo soprado em forma de folhas secas, solas de sapato e eufemismos da vida). 

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