segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

expectativas (este título não tem necessariamente a ver com o texto abaixo)


Assim como o sol não soa a nada
a latitude e a longitude absorvem
os gritos, libertos em desertos,
que são o prazeroso destino do resultado de seleções naturais
São criados pela criação, e não emanam de nada pedra, de nada rocha, de nada ar, de nada molécula alguma.
não e-ma-nam
não surgem e não brotam. mas começam bem antes, na duvida de passar ou não a ser.
-meu sonho é gritar. e o seu?
-meu sonho é ver o dilúvio. é ser um barquinho que sobrou, que ninguém viu. não exatamente fugiu, mas estava lá. quem disse que não deveria estar? se eu pudesse, até mesmo seria o próprio barquinho. eu seria as placas de madeira, eu seria tudo o que o sustenta.
meu sonho é sentir o dilúvio. eu quero que o mar me abrace, furioso, eu quero que ele me dê um abraço de dor, eu quero a água que bate no casco e açoita a pele, uma rede que se desfaz no peito, brusca, louca, se converte em seu próprio banho, salga a terra toda, desenha a erosão. Mar, você teve a oportunidade de matar tudo, mar, pena que a pomba tem asas, ela as usa só nas horas mais inoportunas, mar, porque você não escondeu as árvores por mais tempo, por muito tempo, por todo o tempo? não haveria mais arca, não haveriam estes dedos que lamentam, não haveria fim, só haveria você, mar. o fim somos nós, meu amigo.você é um manto.
meu grito é a consagração daquilo que você poderia ter me poupado; meu grito é em sua direção, querendo ser também água infinita. Meu sonho, por fim, é ser dilúvio.

Um comentário:

  1. Eu gosto dos negócios que vc escreve e do jeito que escreve... é tipo a consciência pós moderna num transe frenético, embrigada pelo momento. Imagino alguém andando na rua, aí de repente ela é assaltada por esses pensamentos, mas aí ela vira a rua e esquece tudo, sempre terminando numa interrogação, numa reticência, ou numa conclusão precipitada. Acho bem plausível para os nossos dias hahaha

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