Assim como o sol não soa a nada
a latitude e a longitude absorvem
os gritos, libertos em desertos,
que são o prazeroso destino do resultado de seleções
naturais
São criados pela criação, e não emanam de nada pedra, de
nada rocha, de nada ar, de nada molécula alguma.
não e-ma-nam
não surgem e não brotam. mas começam bem antes, na duvida de
passar ou não a ser.
-meu sonho é gritar. e o seu?
-meu sonho é ver o dilúvio. é ser um barquinho que sobrou,
que ninguém viu. não exatamente fugiu, mas estava lá. quem disse que não
deveria estar? se eu pudesse, até mesmo seria o próprio barquinho. eu seria as
placas de madeira, eu seria tudo o que o sustenta.
meu sonho é sentir o dilúvio. eu quero que o mar me abrace,
furioso, eu quero que ele me dê um abraço de dor, eu quero a água que bate no
casco e açoita a pele, uma rede que se desfaz no peito, brusca, louca, se
converte em seu próprio banho, salga a terra toda, desenha a erosão. Mar, você
teve a oportunidade de matar tudo, mar, pena que a pomba tem asas, ela as usa
só nas horas mais inoportunas, mar, porque você não escondeu as árvores por
mais tempo, por muito tempo, por todo o tempo? não haveria mais arca, não haveriam
estes dedos que lamentam, não haveria fim, só haveria você, mar. o fim somos
nós, meu amigo.você é um manto.
meu grito é a consagração daquilo que você poderia ter me
poupado; meu grito é em sua direção, querendo ser também água infinita. Meu
sonho, por fim, é ser dilúvio.
Eu gosto dos negócios que vc escreve e do jeito que escreve... é tipo a consciência pós moderna num transe frenético, embrigada pelo momento. Imagino alguém andando na rua, aí de repente ela é assaltada por esses pensamentos, mas aí ela vira a rua e esquece tudo, sempre terminando numa interrogação, numa reticência, ou numa conclusão precipitada. Acho bem plausível para os nossos dias hahaha
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